encontro com DOMÍNIO PUBLICO 26 de Abril + documentação

Dia 26 de Abril às 18h  no Seu Vicente acontecerá o terceira conversa acerca dos vídeos do projeto DOMÍNIO PUBLICO de Maceió, Brasil.

Pensamos em redes comunicativas entre pessoas e lugares e queremos abrir um convite a experimentar um encontro próximo nestas distancias transoceânicas. Ir observando entre cá e lá, lá e cá, o que pode ser um acompanhamento de processos em criação, um espaço para feedback, no fundo uma partilha que potencie redes de entendimentos, fazeres e imaginários entre diferentes contextos, entre as ruas de Maceió e quem lá está em criação e as ruas de Lisboa.

Isto é um experimento em si próprio e queremos convidar quem quiser a experimentar este campo relacional proposto no formato: sessão de vídeo-conversa no espaço—pequeno. Em cada sessão apresentaremos entre 2 e 3 trabalhos em vídeo de 10 minutos de duração aproximadamente, os quais, vão vir acompanhados de algum texto ou gravação que os criadores destes, nos apresentam, para a melhor partilha do que eles estão a gerar. Depois de assistirmos abriremos um espaço de conversa para refletir o que observamos, sentimos, pensamos, o que fica no ar, que atmosferas e movimentos chegam, que afectos se criam, etc. Esta conversa será gravada e partilhada com a Cia. Ltda.

Achamos que é um espaço de interesse para qualquer um, artista ou não, videasta ou não, distraido ou não, e mais, um lugar para trocarmos percepções e ir imaginando possíveis juntos, lá e cá, sem ser tão longe.

Abaixo a documentação da conversa  acerca dos vídeos de Domínio Público “Mata Redonda” de Eri Lee, “Adote-me” de Mary Vaz e “Ode ao Ócio” de Pamela Guimarães com o Coletivo Qualquer no dia 18 de Fevereiro de 2013 no Seu Vicente Residências Artísticas.

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Sobre seuvicenteresidencias

O coletivo qualquer é formado por Luciana Chieregati(BR) e Ibon Salvador(País Basco). Tem como foco de investigação a dança e como a prática e a teoria caminham na mesma direção, entendendo as diferenciações como possibilidades de novos entendimentos a partir da criação de redes e hibridações. Seu Vicente Residências Artísticas é sua casa, onde são os residentes permanentes e porteiros. Fazem parte da equipa do c-e-m(centro em movimento) que com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, tem como horizonte fazer desse espaço, um lugar de convivências, encontros e compartilhamento de idéias acerca da contemporaneidade, recebendo ali artistas, filósofos, jardineiros, empregados de mesa e quem tiver vontade de pensar relações e estares.

  1. Acho que todas as colocações são super pertinentes. Acho que é preciso apostar numa ideia de performance que fuja dos padrões da arte. É preciso apostar numa arte que possibilite que expressemos o humano, pra mim não importam as questões de estética da arte em geral, Importa a ação humana, sobre o mundo. . As vezes dá a impressão que as colocações dizem respeito ao trabalho que se tem ao realizar a obra, como se uma obra pra ter valor necessitasse de ter um investimento de tempo e dedicação sobre ela. Apostei nesse projeto em perceber a sensibilidade de cada artista, e também suas limitações, criando, se possível, uma oportunidade mais que um questionamento da ação. Eu considero todos os videos super questionáveis, e concordo com vocês quando dizem que o tempo não se expressa neles…
    Obrigado.

  2. Charlene Sadd

    Apontamentos feitos pelo coletivo qualquer:

    · Relação entre ação e vídeo

    · Clareza das ideias

    · Funcionamento da ação

    · Elemento para iniciar um processo, diferente de um processo.

    · Demasia de elementos na ação

    · Deixar o espaço influenciar a ação e não a ação de intervir ser maior, no sentido impositivo.

    Quando penso particularmente nos vídeos de Domínio Público algumas questões como essas também me tomam; todos os trabalhos que compuseram, inclusive o meu – Trilogia Pequenos Contágios.

    1 – A ação que não se configura como elemento Vídeográfico: uma coisa é a ação, outra coisa é a ação captada por uma mídia. Vejo o processo de construção entre essas partes muito separadamente. Acho que nesta perspectiva faltou à participação do olhar da videomake como espectadora antes mesmo do olhar produtor operado no momento da edição. Saber o roteiro da ação não é experiênciá-la, aspecto esse que foi vivido assim devido a não repetição das ações, muitas delas sendo gravadas no primeiro momento de experimento e concretamente poucos diálogos entre as partes (entre o olhar do performer e de quem o capta). Isso não quer dizer que uma ação só é potente na medida em que repito, mas, para esta experiência acaba deixando rasas as sensações captadas pelo vídeo.

    2 – Clareza das ideias: O quê? Para quê? Qual a Função ou como pode ser o funcionamento dessa minha ideia? Escavar, escavar, escavar, até se chegar ao um lugar apropriado, não no sentido de adequado, mas de ter posse, domínio. Lembro –me agora do pensamento de Grotowski: “O performer deve trabalhar numa estrutura precisa. Fazendo esforços, já que a resistência e o respeito aos detalhes é o regime que permite tornar presente o Eu – EU. Don’t improvise please! É preciso encontrar ações simples, mas tomando o cuidado para que elas sejam dominadas e que isso dure. Senão, não se trata do simples, mas do banal”. Vejo essa questão lançada por Grotowski não como uma submissão às formas, a um fazer que nega o inesperado, mas sim, uma questão inteiramente ligada à disciplina. Ser disciplinado para que o acontecimento se configure como tal.

    3 – Demasia de elementos: Que os elementos “cênicos” não façam calar a voz necessária a ser ouvida. A escolha de qual elemento soma ou não a composição, às vezes, parece fácil. A questão para mim, inclusive foge do ponto de escolha, indo em direção da eliminação, de calar o impulso de querer ser criativo para que a criatividade emerja da observação muito mais do que do impulso do querer fazer, de querer criar imagens poéticas. O diálogo entre o observador e o ponto observado: pensamento –espaço – corpo – ser – paisagem – modo – estar, podem em si já gerar imagens, gerar. Escutar antes de qualquer coisa é a tarefa para que ampliemos a nossa percepção, escutar com os sentidos, alimentá-los. Claro que não é uma tarefa fácil, mas, essa é toda a nossa tarefa, para todos os dias, durante a nossa trajetória artística.

    As relações instituídas neste processo me revelam o quão frágeis nos somos quando nos prendemos as certezas, inclusive estéticas, ao invés de abrir, lançar no espaço: corpo-espaço físico, antes a possibilidade de querer saber. Dá-se a descobrir antes de querer ser mensageiro. As coisas existem, mas boa parte da vida humana está oculta, e preciso que antes de teorizá-las, antes de rotulá-las, de cristalizá-las, de organizá-las em formas, que nos demos a conhecer por meio da experiência de total entrega, avivada. Temos (tenho) muitos medos, isso é que muitas vezes nos impossibilita de sermos verdadeiramente seres criativos, entregues, o medo limita. Esse é o nosso trabalho, ir à contramão da burocratização dos sentidos.

    Por meio dessa troca com vocês do coletivo qualquer, vejo o quanto Domínio Público alcança talvez o seu maior proposito, não o de focar na produção de trabalhos, mas antes fazer o que o artista tenha a possibilidade de para além da efemeridade da sua obra – ações performáticas – por meio do vídeo, ter retornos pontuais dando a possibilidade de reflexão, a amadurecendo quem sabe não só de um ponto de vista, de um fazer, mas contribuindo para o pensar-fazer arte em alagoas. O projeto neste âmbito nós é muito generoso.

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