documentação: vídeo conversa com DOMÍNIO PÚBLICO

Gravação da conversa sobre três trabalhos visualizados no dia 15 de Janeiro, no Seu Vicente Residências Artísticas do projeto DOMÍNIO PÚBLICO da Cia. Ltda, de Maceió, Brasil.

Zonas Erógenas de João Evangelista;

Livre Iniciativa de Emerson Kennedy;

D de Desejo de Wellington Costa;

 

 

 

 

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Sobre seuvicenteresidencias

O coletivo qualquer é formado por Luciana Chieregati(BR) e Ibon Salvador(País Basco). Tem como foco de investigação a dança e como a prática e a teoria caminham na mesma direção, entendendo as diferenciações como possibilidades de novos entendimentos a partir da criação de redes e hibridações. Seu Vicente Residências Artísticas é sua casa, onde são os residentes permanentes e porteiros. Fazem parte da equipa do c-e-m(centro em movimento) que com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, tem como horizonte fazer desse espaço, um lugar de convivências, encontros e compartilhamento de idéias acerca da contemporaneidade, recebendo ali artistas, filósofos, jardineiros, empregados de mesa e quem tiver vontade de pensar relações e estares.

  1. Depois de ouvir quase uma hora da conversa muitas coisas começam a flutuar na minha mente e parece um pouco complicado falar sobre tudo num só momento, mas vamos lá, vamos tentar. Eu acho que depois dos vídeos passados poderíamos abrir uma conversa via Skype, talvez fosse mais proveitoso para todos nós, não sei, só uma sugestão, pensemos sobre…
    Bom, sobre os vídeos agora.
    Estive pensando sobre a relação da câmera com o público e concordo que em alguns momentos, como no vídeo do João, ela é invasiva, mas ao mesmo tempo eu penso que naquele momento era necessário, que aquela ação, já tão invasiva, era para ser vista e saber-se vista, e sentir-se vista por um olhar terceiro, por um filtro. Eu particularmente não gosto muito desse lugar de estar filmando e invadindo a ação, mas fiquei feliz pelo questionamento ter surgido, porque surgiu para mim, me incomodou durante um tempo até que eu pudesse desencanar e colocar essa inquietação no vídeo, assumir ela realmente.
    No vídeo do Emerson (resolvi separar por obra senão vou me perder nos pensamentos) a câmera já um pouco escondida, tímida, entre as árvores da praça propicia uma relação diferente. As pessoas estão ‘com ‘ ele, não há mais nada que possa interferir ali.
    Wellington, em minha opinião, o mais complicado de decidir como estar, como ser um olhar e não estar no olhar das pessoas acabou sendo o mais simples. Porque ele tem uma presença tão calma, tão íntima com as pessoas, que por mais que eu estivesse ali eu não estava, eu era invisível.
    Quando vocês estavam falando sobre colocar data e local eu fiquei super preocupada, achando que tinha deixado de passar uma informação, mas ao mesmo tempo eu tentei me lembrar de uma coisa que o Jorge Schutze sempre me dizia no decorrer do projeto para eu relaxar deixar as ações irem falando comigo. E aí eu percebi que todas as ações (e acho até que vocês disseram isso em algum momento da conversa) são atemporais.
    Eu não sei se o Jorge enviou essa sequência de vídeos ou se foi escolha de vocês, mas a configuração me agrada. Eu acabei vendo sempre os vídeos na ordem que eu gravei, cronologicamente falando, e percebi que muda tudo se essa ordem se altera. Na verdade me deixou um bom tempo pensando em como a gente perde a sensibilidade de algumas coisas quando elas estão sempre nas nossas mãos, nos nossos olhos. Uma alegria rever as coisas pelo olhar do outro.
    Enfim, não sei se consegui colocar nem metade das ideias que estão passando pela minha cabeça, mas com o tempo vou organizando e vamos trocando figurinhas.
    Grande abraço,
    Pam Guimarães

  2. A gente sempre coloca a arte como uma possível abertura das perspectivas humanas e assim deve ser. Me parece que na verdade crescemos nos expandimos em referência, ou seja crescemos na medida que conheçemos e nos apropriamos de conceitos e possibilidades, inclusive corporais. A conversa, o contato, mesmo que a distância nos torna maiores. Nunca sei se tudo, se as coisas se esgotam, ou se nos cansamos delas e precisamos partir para outros assuntos. Isso cria uma temporalidade pessoal. Um deslocamento das ideias dos assuntos. O público pode se permitir uma mudança, uma expansão, a medida que permite também se relacionar com ideias e ações, que desestabilizam o cotidiano.

    A primeira coisa que me passa quando me relaciono com o bem público, leia-se ai até uma cultura comum, é a ideia de que somos mais do que a cultura, do que o que é comum no bem público, porque somos possibilidades, e podemos dizer isso com ações. Talves seja meu discurso principal nesse projeto: enriquecer a cultura de possibilidades, enriquecer a ação humana de possíveis, tornar-nos mais possíveis enquanto raça.

    A arte cênica é sem dúvida um bem que nos acua, que nos questiona, mesmo no seu lugar mais vulgar. Um ser humano, como todos os outros, se disponibilizando a criar de si uma fantasia pessoal, já é uma expansão do que o humano pode ser. Não me importo muito com o que é novo, me preocupo com que é possível.

    Hoje olho pra esses videos e fico querendo saber o que se quer com eles. Não sei. Em que eles mudam alguma coisa. Não sei. Criar possibilidades de fantasias pessoais serem expostas publicamente? Acreditar que com isso possamos considerar mudanças. Verificar que a vida cultural permite mais do que supomos. Constatar que somos muito timidos em nossos desejos.

    Uma das coisas que ja adoro é o fato de podermos apreciar. Falar, tentar se ver no outro. Criar expansões, possibilidades.

    Obrigado Coletivo Qualquer

  3. Obs: a apreciação cria vontades de realizar mais ações. Isso me faz tão vivo.
    obrigado

  4. Ibon

    algo do que me tenho apercebido no durante deste encontro com o projeto Domínio Público refere-se ao tempo e o espaço que damos a uma relaçao. Com isto indico a extensao do momento de identificaçao do acontecimento, da performance ou video em questao – do outro em nos e nos no outro -. Que tempo damos para o encontro? Queremos compreender a coisa inmediatamente ou vamos saboreando as camadas no entre-meio? Consideramos que nao sabemos nada daquele acontecer no momento precisso do acontecer? É isso posivel? Como exercitamos a visualidade no que vemos, no que nao-vemos, no que chega noutras velocidades/lentidoes?

    Isto sao questoes de um observador que nao quer saber muito bem o que é publico mas que ainda assim sente-se publico em muitos momentos, e também sente-se observado como publico. Jogos da lingua, palavras que se dobram umas sobre as otras, armadilhas nas frases que dizemos.

    Por isso ainda nem sei bem dizer o que é este encontro com voces e isso é-me muito saboroso, empolgante, vibrante. Nos escrevemos no blog, os veio em videos de um pasado recente editado (linda memoria), falamos por gestos esborronados no skype, grabamos conversas que cruzam o atlantico… agora quase me deu vertigem.

    Gostei muito do que escreveram, já quero grabar algum video para compartilhar com a Pam, mais de perto.
    Abraço a todos e obrigado,

    Ibon.

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