espaço—pequeno: “Vontade Política” com UNIPOP e “Subjetividade, Foucault e Cinema” com Fábio Zanoni

Esse mês no espaço—pequeno:

– Seminário: “Vontade Política” com UNIPOP, coordenado por  André Barata, André Dias e Miguel Cardoso;

Dias 21, 22 e 23 de Janeiro das 18h às 20h no Seu Vicente Residências Artísticas.

Nos últimos anos, especialmente com a explosão da crise económica e financeira, assistiu-se, a nível global, à intensificação de um vasto conjunto de lutas políticas e sociais. O problema da subjectividade, nomeadamente o da emergência de um sujeito colectivo da política, volta a colocar-se, desse modo, através da mobilização em larga escala para gestos de resistência e proposta, de indignação, e de reflexão programática sobre cenários mais ou menos difusos de mudança.
Se é verdade, por um lado, que este fenómeno se pode deixar entender à luz de uma alteração do paradigma pelo qual temos, até agora, pensado a política, parece também certo, por outro, que estas lutas são muitas vezes reconduzidas a uma filosofia política clássica, assente em categorias como «organização», «programa», «poder», «estado» ou «objectivos». Neste quadro, a categoria de «vontade» ganha uma nova relevância teórica, encontrando-se no centro de alguns dos mais importantes debates filosóficos actuais à volta da política.
Verifica-se, assim, no plano da produção teórica, uma recuperação da ideia de «vontade», bem como da tradição do voluntarismo político associado a figuras como Gramsci, Lenine ou Franz Fanon, enquanto elementos indispensáveis para pensar a subjectividade política. Esta é a proposta de Peter Hallward.
Por outro lado, temos assistido, nas últimas décadas, à ontologização de alguma filosofia política que, precisamente, questiona essa mesma concepção de vontade, e que vem no seguimento de uma longa linhagem crítica desta categoria, que se foi desenvolvendo ao longo do século XX, e que podemos de modo excessivamente simplista, arrumar em duas tendências: a crítica heideggeriana da vontade, que se prolonga em Hannah Arendt e tem hoje em Giorgio Agamben, porventura, o seu representante mais notório; a linhagem espinosana e deleuziana, que podemos encontrar, por exemplo, em François Zourabichvilli.
O carácter por vezes abstracto da formulação teórica não nos deve enganar: o que está em jogo é a discussão à volta do modo como a resistência e a luta se podem pensar no aqui e no agora, e como é que o podemos fazer sem repetir os erros do passado.
Neste seminário intensivo propomos aprofundar este debate através das suas linhas de tensão, a partir da leitura conjunta de uma selecção de textos.
Propomos, nesse sentido, os seguintes textos para discussão nas sessões:
· André Barata, «Prefácio», Primeiras Vontades – da liberdade política para tempos árduos, 2012;
· V. I. Lenine, Que Fazer?, 1902;
· François Zourabichvili, «Deleuze e o possível (do involuntarismo em política)», 1995;
· Peter Hallward, «Communism of the Intellect, Communism of the Will», 2009;
· Giorgio Agamben, «Le due ontologie, ovvero come il dovere è entrato nell’etica», Opus Dei: Archeologia dell’ufficio, Homo sacer II 5, 2012.
Organização: UNIPOP
Coordenação: André Barata, André Dias, Miguel Cardoso
Apoio: «Seu Vicente» Residências Artísticas, c.e.m (centro em movimento), Câmara Municipal de Lisboa, Fórum Dança e O Rumo do Fumo;
Local: «Seu Vicente» Residências Artísticas (Rua da Boavista, n.º 46 – 1.º, Lisboa –http://t.ymlp254.net/wqakawesyagauqeanamusjy/click.php, localização aqui)
A frequência do seminário é livre, mas pede-se aos interessados que efectuem uma inscrição prévia, enviando um e-mail com o nome para cursopcc@gmail.com.
Lugares limitados.
No final do seminário será emitido um certificado de frequência.
 
André Barata é Doutor em Filosofia Contemporânea e professor da Universidade da Beira Interior, com publicações nas áreas da Psicologia Fenomenológica e da Filosofia Política.
 
André Dias é doutorando em Ciências da Comunicação/Cinema na Universidade Nova de Lisboa. Investiga as relações entre cinema e filosofia política. Organizou uma conferência sobre biopolítica e traduziu Giorgio Agamben.
Miguel Cardoso é doutorando em Literatura Inglesa em Birkbeck College, University of London.
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Novo site da Unipop – www.unipop.info

– Conversa: “Subjetividade, Foucault e Cinema” com Fábio Zanoni

Dia 30 de Janeiro às 17:30h no Seu Vicente Residências Artísticas.

Forrest Gump e o problema da formação de uma ética dominical

A partir do filme Forrest Gump, buscaremos ampliar nossa compreensão acerca da noção foucaultiana de práticas de liberdade e da noção deleuziana de máquinas de guerra, duas formas de lutar contra o que poderíamos denominar a formação de uma ética dominical.

apoio: Tapada da Tojeira / Azeite da Tojeira

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Sobre seuvicenteresidencias

O coletivo qualquer é formado por Luciana Chieregati(BR) e Ibon Salvador(País Basco). Tem como foco de investigação a dança e como a prática e a teoria caminham na mesma direção, entendendo as diferenciações como possibilidades de novos entendimentos a partir da criação de redes e hibridações. Seu Vicente Residências Artísticas é sua casa, onde são os residentes permanentes e porteiros. Fazem parte da equipa do c-e-m(centro em movimento) que com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, tem como horizonte fazer desse espaço, um lugar de convivências, encontros e compartilhamento de idéias acerca da contemporaneidade, recebendo ali artistas, filósofos, jardineiros, empregados de mesa e quem tiver vontade de pensar relações e estares.

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